13/02/2017

Departamento de Engenharia Industrial da UFRJ desenvolve projeto para a RioSaúde que aumenta em 40% o número de cirurgias no Hospital Lourenço Jorge no Rio

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A RioSaúde, uma empresa pública municipal que administra algumas unidades municipais de saúde no Rio, e o Departamento de Engenharia Industrial (DEI) da UFRJ junto à Fundação COPPETEC uniram forças para lançar uma solução que pode revolucionar a triste realidade das filas de espera por cirurgias em hospitais públicos hoje no Rio de Janeiro.
Sabe-se que, no serviço público, a realidade é que a demanda é sempre maior do que a capacidade de oferta e, no caso das cirurgias, muitos fatores estão envolvidos para a sua realização, como disponibilidade de equipe médica, de bolsas de sangue, materiais esterilizados, leitos entre outros. Qualquer problema que ocorra com um desses fatores acarretará na suspensão da cirurgia e consequentemente no aumento de filas de espera.
Os professores Heitor Caulliraux, Adriano Proença e Renato Cameira junto a uma equipe de 8 pesquisadores, todos do Departamento de Engenharia Industrial (Escola Politécnica/UFRJ) analisaram a realidade de um hospital municipal no Rio de Janeiro e utilizando um software chamado Sequenciador, comumente utilizado em portos e aeroportos para gerenciar suas rotinas, para elaborar mapas de cirurgia que acompanha as cirurgias que serão feitas naquele dia e que serão realizadas no dia seguinte, podendo ser acessadas pelos médicos e atualizada via tablet ou celular. Além disso, implementou-se conjuntamente um software de gestão de recursos que gerencia a disponibilidade de leitos, bolsas de sangue, material esterilizado etc.
Esse projeto iniciou-se em 2016 no Hospital Municipal Lourenço Jorge, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Nesse hospital, o gargalo se encontrava no centro cirúrgico, dessa forma, o objetivo inicial do projeto focou em maximizar a utilização do centro cirúrgico, ou seja, fazer o maior número de cirurgias possíveis sem gastar mais recursos com isso. O resultado foi tão positivo que hoje o software de gestão já se encontra implementado em todas as enfermarias e demais unidades do hospital.
A iniciativa gerou tantos frutos que, em 3 meses após a implantação, houve o aumento de 40% no número de cirurgias e a redução em 45% na taxa de suspensões de cirurgia, sem investir em mais recursos ou pessoal, apenas otimizando o gerenciamento desses recursos através do uso de softwares de gestão inteligente.
Ainda, o sequenciador permite criar simulações que podem auxiliar na criação de estratégias para a melhoria do serviço. No segundo semestre de 2016, foi feita uma simulação para analisar em quanto tempo a fila de hérnia e vesícula poderia ser zerada. A simulação mostrou que se fosse dedicado uma sala e 6 leitos em 4 meses não haveria mais filas de hérnia e vesícula. Hoje, fevereiro de 2017, a fila de hérnia foi zerada no hospital.
Essa iniciativa é única no Brasil e pode representar um avanço na gestão de saúde. As discussões que perpassam nesse momento são se é possível levar esse modelo de gestão para outras unidades e quais as limitações e desafios para a implementação desse modelo em outras unidades de saúde.
Texto adaptado da entrevista cedida pelo prof. Heitor Caulliraux.

Assista o vídeo para saber mais sobre o projeto

Veja mais sobre o projeto em:
Bom Dia Brasil | UOL Notícias | Rio Saúde

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